De olho no Super El Niño, Brasil cria Sala de Situação
- Redação
- 22 de jun.
- 3 min de leitura

O governo federal instalou uma Sala de Situação Interministerial para coordenar ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do Super El Niño, fenômeno climático previsto para atingir diversas regiões do Brasil a partir de julho.
A iniciativa é liderada pela Casa Civil e conta com a participação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), além de outros órgãos federais.
Durante entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", transmitido pelo Canal Gov, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou, nesta quinta-feira (18), que o país está mobilizado para enfrentar os efeitos do evento climático extremo.
“O Brasil está preparado permanentemente, está em vigilância e mobilizado para dar respostas à sociedade”, destacou o ministro.
O que é o Super El Niño e quais os impactos no Brasil?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aumento da temperatura das águas superficiais do oceano Pacífico acima da média histórica. Quando esse aquecimento supera 2°C, seus efeitos podem se intensificar em diferentes partes do mundo.
De acordo com especialistas, o Super El Niño deste ano pode provocar:
Secas severas na Amazônia e no Nordeste;
Chuvas intensas nas regiões Sul e Sudeste;
Temperaturas acima da média no Centro-Oeste;
Maior risco de queimadas no Pantanal.
Sala de Situação reúne 20 ministérios para ações emergenciais
A nova estrutura do governo federal integra aproximadamente 20 ministérios e órgãos estratégicos para monitorar os riscos e coordenar respostas rápidas em situações de emergência.
Entre os participantes estão as Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama e ICMBio, além de governos estaduais e municipais. O objetivo é garantir uma atuação conjunta diante de eventos climáticos extremos.
Além disso, instituições técnicas como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fornecem informações em tempo real para auxiliar nas decisões.
Governo reforça planos de contingência e prevenção
Segundo Waldez Góes, o sucesso das ações preventivas depende de planos de contingência ativos e do preparo das comunidades que vivem em áreas de risco.
O governo orienta que municípios realizem ações antecipadas, incluindo:
Sinalização de rotas de fuga;
Estruturação de abrigos públicos;
Capacitação das equipes locais;
Campanhas de conscientização da população.
A estratégia também envolve escolas, igrejas, veículos de comunicação regionais e lideranças comunitárias para ampliar o alcance das orientações.
Defesa Civil Alerta envia avisos diretamente para celulares
Uma das principais ferramentas já utilizadas é o sistema Defesa Civil Alerta, que envia mensagens emergenciais diretamente para os telefones celulares das pessoas localizadas em áreas de risco.|
O serviço funciona sem necessidade de cadastro prévio e independe do pagamento da conta telefônica. Quando acionado, o alerta aparece na tela do aparelho mesmo que o usuário esteja utilizando aplicativos ou assistindo vídeos.
Os avisos são classificados em dois níveis:
Alerta severo. Emitido quando há risco elevado e tempo suficiente para que a população se prepare e adote medidas preventivas.
Alerta extremo. Determina evacuação imediata da área afetada e deslocamento para locais seguros ou abrigos indicados pelas autoridades.
De acordo com o ministro, o uso da ferramenta segue critérios rigorosos para evitar o excesso de notificações e preservar sua credibilidade junto à população.
Cultura de prevenção é prioridade diante das mudanças climáticas
Ao final da entrevista, Waldez Góes defendeu a consolidação de uma cultura de prevenção e gestão de riscos no Brasil. Segundo ele, governos, empresas e cidadãos precisam estar preparados para responder rapidamente aos eventos climáticos extremos.
Uma das medidas recomendadas é a realização periódica de simulados de evacuação em municípios mais vulneráveis a desastres naturais.
A liderança local - prefeituras, escolas, igrejas, imprensa regional e comunicadores locais - deve garantir que as rotas de fuga estejam devidamente sinalizadas e que os abrigos públicos estejam estruturados, antes da ocorrência de desastres climáticos.
Para o ministro, a população deve conhecer os protocolos de emergência e seguir imediatamente as orientações emitidas pela Defesa Civil.
“Se uma autoridade emite um alerta, ele deve ser respeitado. O cidadão precisa conhecer, participar e aprender a lidar com essas situações”, concluiu.



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